"A sorte é o que acontece quando a preparação encontra a oportunidade."
Sêneca (4 a.C.–65 d.C.).
Eis aí um tema bem ao gosto dos "filósofos de botequim". Não que eles sejam adeptos do fortianianismo, porque, entre eles, a grande maioria é cética, o que é exatamente o oposto. Gostam porque é um tema instigante, controverso, desafiador. Melhor ainda: porque não foi resolvido e não é, nem nunca será um assunto banal ou desgastado.
------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
- Sorte e azar existem, mas as causas e circunstâncias que disparam esses eventos e os mecanismos como se processam são absolutamente desconhecidos;
- Sobre a sorte e o azar, só conhecemos os efeitos, mas ninguém, em qualquer ramo do conhecimento humano, no passado ou no presente, conseguiu explicar convincentemente como, quando, nem por que esses eventos ocorrem;
- Há que se distingüir o que é "sorte" ou "azar" daquilo que é provocado pela lei da causalidade e/ou do imponderável. Se é rotineiro, e conforme sejam as conseqüências positivas ou negativas, pode-se dizer que é "sorte" ou "azar", desde que independa das ações do agente. Se acontece uma única vez, com ou sem interferência do agente, é um resultado ou casualidade, perfeitamente natural; se acontece sucessivamente, mas com interferência das ações do agente, provocando o resultado, também é um fato perfeitamente natural;
- Fatos isolados, que aconteceram apenas uma vez, por mais grandiosos ou bizarros que sejam, jamais devem ser rotulados como "sorte" ou "azar";
- Sorte ou azar, pressupõem resultados positivos ou negativos, recaindo repetidamente (ou, pelo menos, mais de uma vez), sempre sobre a mesma pessoa, independentemente de suas ações.
- O imponderável (tomado como substantivo e em seu sentido figurado) existe e pode ser definido como aquilo que não se pode medir, avaliar ou prever, podendo acontecer em qualquer momento e em qualquer lugar, sem causas aparentes ou por causas desconhecidas. Nada se pode fazer para evitá-lo.
Como se vê, os debates não são de todo improdutivos, pois permitem algumas conclusões. Mas não respondem o principal: O que é a Sorte e o Azar? Como e por que acontecem? Como se pode provocar ou evitá-los? Esta, nem Freud, nem nenhum outro psicanalista ou filósofo,ou místico, cientista ou pensador, explica. Talvez um Charles Fort (1874-1937), o maior pesquisador de coisas insólitas, precursor do realismo fantástico (por alguns chamados fortianismo) e maior desafiador da ciência, conseguisse explicar. Mas ele jamais tentou isso. Louis Pauwels e Jacques Bergier, também pesquisadores de coisas insólitas, não quiseram se aventurar a explicar e arriscar sua reputações.
Já Richard Wiseman, em seu clássico livro "The Luck Factor" (O Fator Sorte) tentou explicar o fenômeno mas nada conseguiu, transformando o seu livro em mais uma literatura de autoajuda. A Grande Ciência, capaz de explicar tantas coisas, inclusive fenômenos da física quântica e até do mundo microscópico, das profundezas da terra e dos oceanos, dos universos paralelos e de tantas coisas inimagináveis para nós, mortais comuns, não se atreveu a deslindar o que sejam sorte ou azar.
A definição que parece ser a mais mais aceita e divulgada para a sorte é a do filósofo estóico Sêneca: ""A sorte é o que acontece quando a preparação encontra a oportunidade." ( Sêneca). Esse é o consenso geral mas aceito e, nesse caso, me parece que acertadamente. Mas alguns também (e aí me julgo que equivocadamente) atribuem a sua autoria ao. pensador Elmer Letterman: "Sorte é o que acontece quando a preparação encontra a oportunidade" (plagiou Sêneca?). O que, seja um ou seja outro, não explicam, é por que a oportunidade chega sempre para quem não a espera, não está preparado e, mesmo assim, colhe os frutos positivos?.
É aí que está a exceção, até hoje não explicada convincentemente, pelo menos para mim — e aqui o digo sem muita certeza —, porque pode ser que exista a explcação válida, para além do que o autor da frase original defende. Bem, a partir deste ponto, segue uma digressão, com minha opinão pessoal (claro que tembém não seá aceita e gerará novas discussões, mas não custa considerar, pelo menos como teoria):
O desafio e a pergunta não respondida:
Preocupado em deslindar o mistério e já cansado de procurar em outras fontes, tanto em língua portuguesa, como em outras línguas, resolvi recolocar a pergunta abaixo em sites de respostas na internet e, depois, nas ainda burrinhas "IAs", só para testar, porque as respostas já encontradas eram de muito pouca confiabilidade. Surpresa: Nada mudou. Pelo contrário, complicou. (1)
SORTE e AZAR existem? Se sim, você saberia explicar como e por que ocorrem?
Sei de antemão que muitas pessoas irão falar que isto não existe e que tudo depende do nosso "livre arbítrio", que somos nós mesmos quem influenciamos o nosso próprio destino, que tudo é resultado das nossas ações, que é só uma superstição, etc. etc. Mas os fatos da vida real demonstram que alguma coisa ainda inexplicável ocorre e que existem pessoas que sem nada fazer de positivo, são bafejadas pela sorte, tudo dando certo, e outras que, por mais que se esforcem, tomem cuidados, planejem, façam as coisas certas, não a têm e tudo dá errado. Já procurei explicações em livros religiosos, filosóficos, metafísicos e científicos e nada encontrei. Não consegui encontrar nenhum sábio, filósofo, cientista, médico, parapsicólogo ou quem quer que fosse que pudesse explicar os porquês e os mecanismos da sorte e do azar. Vocês poderiam dizer o que pensam sobre o assunto e onde achar a resposta?
1) A morte de Michael jackson: Um show foi cuidadosamente preparado e planejado, as datas estavam marcadas, ingressos já haviam sido vendidos, os ensaios quase terminados, o cantor envolvido, sem sinais aparentes de nenhuma doença grave, os patrocinadores e integrantes confiantes no sucesso (e certamente o seria) e, de repente... o astro morre. Aqui, agiu o IMPONDERÁVEL, ocorrência normal;
2) Um acidente aéreo ou automobilístico ocorre, todas as pessoas, menos uma, morrem. A que escapou saiu quase ilesa, com apenas leves escoriações. Aqui, não agiu a imponderabilidade porque acidentes aéreos e automobilísticos estão dentro das possibilidades esperadas e nada têm de anormal. Nem mesmo o caso de haver apenas um único sobevivente. Ocorrência normal. Acidentes aéreos e rodoviários não podem ser considerados como anormalidades.
3) Um estudante pede demissão do seu emprego, seus pais lhe pagam o melhor cursinho pré-vestibular, ele leva a sério, estuda, tira as maiores notas em todos os simulados, sente-se preparado para brigar pelo primeiro lugar. Horas antes da prova adoece, pega 40 graus de febre e mais um desarranjo intestinal violento e perde a prova. Mais uma vez, agiu o imponderável, e não o azar. Ocorrência normal;
4) O mesmo carinha acima parte para a segunda tentativa e, no ano seguinte, no dia do exame, pega um trânsito engarrafado por causa de acidente, fica preso, se atrasa e... perde a prova. Mais um ano se passa, ele parte para a terceira tentativa, um outro incidente ocorre e ele perde, de novo, a prova. Aqui já agiu o azar. As ocorrências foram sucessivas, fugiram da normalidade e revelaram uma tendência negativa. Explicações? Não tem;
5) Um apostador, com apenas um volante de aposta mínima, acerta sozinho a mega-sena acumulada. Ocorrência normal (alguém, teria de ganhar), se for uma única vez. Mais de uma, em curto espaço de tempo, já passaria a ser sorte; Explicações? Não encontrei nenhuma convincente.
6) Um caso verídico: um senhor, não habituado a jogar em loterias, encontra um volante de lotomania preenchido, preso no parabrisas do seu carro; amassa-o e joga fora. No dia seguinte, a mesmíssima cena se repete e, então, ele resolve pegar o volante e joga 3 reais na lotomania, ganhando 2.700 reais. Paga algumas dívidas e, na mesma semana, resolve jogar 12 reais na mega-sena e ganha de novo, sozinho, desta feita, 18,9 milhões de reais. Aqui, sem sombra de dúvidas, agiu a sorte. Explicações? Não tem. Somando tudo, foram 4 acontecimentos, do mesmo tipo, na mesma semana. Pode-se dizer, como querem alguns, que são meras "coincidências"?
-Link para a matéria "Sortudo ganha 2 vezes na loteria, em uma semana" :: ver site da Globo em g1.globo.com/Noticias/Brasil/0,,MUL83387-5598-834,00.html (digitar o "http://", sem as aspas)
-Link para o vídeo "Sortudo ganha 2 vezes na loteria, em uma semana"